30 Junho 2007

Texto abaixo

Oi pessoal,

abaixo tem um texto que escrevi para uma revista que nunca chegou a ser publicado. Ele nada mais é do que um balanço do ano inteiro de viagens de 2006 e tudo que entendo pelo ato de viajar. Boa leitura!

Descobertas de um viajante

“Viajar é como ler e aquele que não viaja é como se ficasse sempre na mesma página” Santo Agostinho


Em Milão, no ano passado, tomava um chá com um italiano apaixonado por viagens, que me colocou a seguinte questão: no filme Wall Street, de Oliver Stone, o personagem de Charlie Sheen, um figurão que atua na Bolsa, comenta sobre um sonho seu: “Se junto um bom dinheiro antes dos 30, saio desse negócio e viajo pela China de moto”.Começamos a discutir essa idéia e chegamos a uma conclusão: esse é o tipo do cara que nunca largaria tudo e faria a tal viagem (mesmo porque algumas semanas de trabalho em Wall Street bancariam meses pela China).
Muitos de nós sonhamos em fazer uma viagem para um lugar que julgamos especial, mas as idéias sempre ficam em ponto morto, se tornam sonhos recorrentes ou tentações exóticas. Esses sonhos são tomados como irrealizáveis ou caríssimos, ou seja, fora de possibilidade ou cogitação. A verdade é que, ao estabelecer prioridades, tais viagens de sonhos são muitos mais possíveis do que imaginamos, mesmo com pouco dinheiro. Aliás, quando se trata de viagens, quanto menos dinheiro, maior a experiência.
A viagem dos sonhos é claro que é pessoal, cada um tem a sua, junto com seus motivos. Pode ser um sonho de ver um templo grego, o tango argentino, uma atração pela literatura russa , pelo filme Madagascar, pelo budismo ou simplesmente inspirado pelo nome do destino.
A minha foi assim: parti para Budapeste no início do ano passado para estudar a cultura, história, política e literatura da Hungria. O plano era um semestre lá e passar um mês visitando países próximos. Mas aí, descobri o prazer de viajar sem restrições, sem prazos, sem expectativas, sem fim. O resultado: tranquei a faculdade e adiei a volta, que era - aliás - sucessivamente postergada. O que era para ser um mês, se tornou quatro meses de estrada e por fim três meses estudando italiano na Sicilia, acabei passando um ano fora. Por isso, já fica aqui o meu alerta: cuidado, viajar é viciante!

Viagem como forma de liberdade

Viajar é quase como um movimento, é algo que se sente e a partir daí se age. O estado de espírito faz a viagem e vice-versa. Viajar - não “turistar” - é estar aberto, para dar e receber, para conhecer, reconhecer e se autoconhecer. É uma oportunidade de sair e abstrair de uma realidade e vivenciar o diferente. A partir do momento em que você é o diferente, tudo muda: você é o estranho, o vulnerável, literalmente perdido, sem saber o que fazer, como se comportar e, às vezes, sem sequer falar a língua local. O mais belo disso é se impressionar com a quantidade de pessoas generosas dispostas a ajudá-lo quando percebem que você o precisa. Altruísmo, ajudar somente por saber que o outro precisa de ajuda, tanto para quem o pratica quanto para quem o recebe, é sempre saudável e faz bem à alma.
Uma experiência deste tipo enriquece, pois se aprende a julgar menos, ouvir mais e a ser mais solidário. No fim das contas, fica visível que um paquistanês, um húngaro e um inglês e você têm muito mais coisas em comum do que se imaginava.
Cada viagem é uma, se ilude aquele que tenta repetir uma viagem, uma vez que as circunstâncias são sempre diversas. O mundo está de braços abertos, cabe a nós abraçá-lo. As oportunidades a explorar e as pessoas a conhecer tendem ao infinito. Basta motivação e iniciativa; o resto sempre se dá um jeito. Deu pra entender? Botem uma mochila nas costas e caiam no mundo! Descubram, vivam e usem sua liberdade.